Um Templário é um Soldado de Cristo

Muitos acreditam que um Cavaleiro Templário é um guerreiro especialista em manejar uma espada e em matar em combate. Um homem destemido. Realmente o Templário no período das Cruzadas era um guerreiro especialista no manejo da espada e muitas vezes foi preciso matar para preservar a sua e outras vidas. No entanto não era isso que o fazia destemido, mas, sim, o seu amor pelo Cristo e o compromisso assumido para a defesa dos cristãos.

Recentemente uma Irmã Templária durante uma roda de Oração ao Pai Nosso, teve uma visão que a assombrou. Na ocasião, assistiu e vivenciou a morte de Jacques De Molay na fogueira em frente à Catedral de Notre Dame, em Paris, França. A irmã disse que sentiu como se a chama ardesse em seu próprio corpo e que não compreendera como podia aquele homem assistir ao seu corpo ser consumido pelas labaredas, sentir a carne queimar e mesmo assim manter-se com o rosto tranquilo e sereno como quem estivesse vivendo um momento de glória.

“Não compreendo”, repetia a Irmã, várias vezes, inconformada com a cena de horror e ao mesmo tempo de esplendor que acabara de assistir.

Aos poucos entendeu que o próprio Cristo já dissera em João 6 que “É o espírito quem dá a vida”; que “a carne não se aproveita para nada” completando Ele: “as palavras que eu vos digo são espírito e vida”.

Àquele que morre pelo Cristo, como foi o caso de Jacques de Molay e de outros Irmão vítimas da traição e da ganância, bem como os Cristãos que morreram nas arenas do Coliseu devorados pelos leões, não morreram, mas ganharam a vida eterna.  Mostrando que morrer pelo Cristo, é viver. Os Templários sempre creram nisso! Sempre vivenciaram isso! E, aqueles que não compreendiam e não viviam dentro desses princípios não eram Templários, podiam até vestir o manto e portar a espada.

Para ser Templário e descobrir os mistérios da Ordem é preciso compreender as palavras do Mestre de que “o que é nascido de carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito”, portanto, “aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus”.

O Cristo afirmou categoricamente: “não te maravilhes de ter dito: Necessário vos é nascer de novo”. Aquele que compreende as palavras do Cristo, que vive segundo os seus mandamentos e princípios, que busca a cada dia nascer um novo homem, este sim é um Soldado do Cristo, não teme a morte do corpo e busca a cada dia alimentar mais o seu Espírito.

Depois do relato e das explicações inerentes ao fato a Irmã se mostrou mais tranquila e conformada e afirmou: “Preciso aumentar ainda mais a minha fé”.

Sim! Todos nós precisamos aumentar a nossa fé, pois o Cristo disse que “se tivésseis fé como um grão de mostarda, direis a esta amoreira: Desarraiga-te daqui, e planta-te no mar; e ela vos obedeceria”.

Um Soldado de Cristo mesmo em menor número tinha uma fé tamanha que partia em batalha contra numerosos combatentes muitas vezes maiores que seus exércitos. Lutava pela vida, por um ideal e por assim agir se transformaram em grandes guerreiros.

Sempre depois das batalhas rezavam pelas almas dos Irmãos mortos e também pelos adversários que tombaram pelo meio do caminho. Sempre entenderam que ele e o outro eram uma só carne, filhos do mesmo Criador e se assim não fosse, não eram dignos de serem chamados de Soldados de Cristo.

Em 2018 a Ordem completa 900 anos de existência e em toda a terra homens e mulheres de bem, que desejam servir ao Cristo levantam o “baussant”, o estandarte que sempre ia à frente nos campos de batalha, não para combater homem contra homem, nação contra nação, mas para buscar nascer em Cristo novos homens e mulheres, renascer em Espírito.

Um Templário que não compreenda o lema da Ordem e não o tome como seu modelo de vida, não é um Templário. Portanto é preciso compreender e praticar o “Non Nobis Domine, Non Nobis Sed Nomini Tuo da Gloriam” – “Não a nós Senhor, Não a nós, mas a Tua Glória” pois todo trabalho realizado, todas as conquistas, tudo nesta vida deve ser feito para a Glória do Senhor.

Fraternalmente,

Fr.+ Albino Neves